domingo, 21 de março de 2010

Macau, um quase regresso!

Chegar a Macau, foi uma lufada de ar fresco!


Após várias semanas a viajar em contextos tão distintos dos nossos a todos os níveis e depois de passar um pouco por todas as realidades chinesas e tibetanas, sabe sempre bem chegar a um local mais "civilizado" e mais parecido com o que estamos habituados. Claro que este sentimento só nos ocorre, fruto do tempo de viagem que já é longo, porque adoramos o contacto com as diferenças habituais que nos esperam nestes destinos exóticos, mas passado algum tempo apetece fazer uma pausa... para depois continuar...


Em Macau, o sentimento de chegar a um local mais civilizado, foi para nós muito mais do que isso, chegar a Macau, foi de certa forma chegarmos a casa. Foi reencontrarmo-nos com a nossa história e os nossos antepassados, foi reencontrarmos a nossa língua, a nossa arquitectura, com alguns dos nossos hábitos e com resquícios da nossa gastronomia. Ah e claro, não esquecendo a livraria portuguesa, que nos permitiu pela primeira vez ler jornais e revistas portugueses actualizados em viagem!


Eu pessoalmente, sou um apaixonado por viagens e pela nossa magnífica História, pelo que Macau, foi para mim a cereja no topo do bolo nesta viagem!


Muitas vezes pensei que diversas pessoas que já tinham visitado este território, não tinham ficado muito entusiasmadas e algumas até confidenciaram que "não acharam nada de especial", agora penso como eu sou tão diferente dessas pessoas...


Chegámos através do Aeroporto de Macau e fizemos questão disso, embora não tenha sido fácil (o aeroporto vizinho de Hong Kong era sempre o referido), o tal em que gastámos milhões e milhões de euros (escudos na altura ou seria patacas?) para deixar esta obra megalómana, construída sobre o mar da China, aos chineses que tomaram posse do território em 1999.


Mal chegámos ao aeroporto ficámos surpreendidos, porque todas as indicações e placas se encontram escritas em português! Para quem anda nestas andanças e já andou algumas vezes pela Ásia e pelo mundo, sabe que encontrar seja o que for em português, desde audioguias em museus, folhetos nos gabinetes de turismo, panfletos de hoteis, jornais, livros, etc. é pura miragem! Não existe! por isso, nos surpreendemos e ficámos obviamente satisfeitos e com aquele genezinho do patriotismo bacoco inchado!

Levantámos umas patacas no multibanco do aeroporto (que não era em forma de árvore) e apanhámos um taxi, rumo ao Hotel Sintra na Avenida D. João IV, perto do cruzamento com a Avenida Dr. Mário Soares. O hotel é convenientemente bem localizado no centro de Macau (na peninsula) perto do histórico Hotel Lisboa e do seu famoso casino.

Foi lá que acabámos a noite, afinal estamos na maior cidade casino do mundo com um volume de apostas superior a Las Vegas!!!

domingo, 7 de março de 2010

Yangshuo, a pérola do sul da China!

Saímos de manhã bem cedo para levantar a scooter que tínhamos já reservado na véspera.

No país da poluição extrema, alugámos uma mota ecológica! Uma mota eléctrica, sem ruído ou emissão de gases! parece-me apropriado para que o nosso impacto nesta paisagem seja mínimo.



O único senão, foi descobrir, que a nossa "bomba" não passava dos 30 Km/hora!!!



Mas também quem é que tem pressa por aqui?



Com um mapa rudimentar, muito rudimentar e com o telefone do stand, para o que desse e viesse, saímos da aldeia, dispostos a fundirmo-nos com a paisagem.



Antes de entrarmos nos campos e nos caminhos de terra batida que os circundam e que serpenteiam aquelas formações rochosas que não conseguimos nunca deixar de admirar, sobra sempre tempo para uma conversa, ou tentativa de conversa com os simpáticos camponeses, ou camponesas...



Depois, quando entramos no âmago da ruralidade chinesa, estava lá tudo o que sonhávamos:

Os campos de arroz:



Os chapéus de palha:



As carroças:


O sorriso das crianças:



Os valiosos búfalos de água:



tudo isto amplificado por uma paisagem deslumbrante, que não imaginámos...




Yangshuo é verdadeiramente uma pérola, que nos deu mais do que esperávamos, porque aqui ao contrário do que encontrámos em outros sítios, existe a China imaginada por um Europeu. O bom gosto das ruas e dos edifícios, dos restaurantes e das lojas, que fizeram com que comprassemos aqui grande parte do artesanato que levámos para casa.


É verdade que existe sempre uma hello Kitty ou uma torneira em forma de elefante a estragar a boa decoração dos restaurantes e o bife de cão anunciado no menú (embora não tenhamos visto nada) também era dispensável, mas afinal de contas estamos na China não é?




Foi muito bom e como já vem sendo hábito, esperam-nos emoções fortes e especiais no destino que se segue...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Cruzeiro no rio Li

É chegado o dia ansiado do cruzeiro no rio Li !

O início é quase um anti-climax, porque no cais de saída, tudo está muito ao estilo chinês. Imensos barcos alinhados, todos iguais e essencialmente frios e crus.

Tudo ordenado tipo rebanho é encaminhado para tomar os seus lugares no interior da cabina do barco.

Partimos e rapidamente abandonamos o nosso local na cabina para passar toda a viagem no convés!

e aí, que espectáculo nos esperava...

Num ritmo relaxante, o barco segue silenciosamente arrastado pela corrente.

É verdade que a neblina que o tufão que recentemente passou na vizinhança, nos prejudicou a arte fotográfica, mas ao mesmo tempo adensou um pouco o cenário fastasmagórico e cinematográfico que se apresentava diante dos nossos olhos....

Picos desalinhados cobertos de vegetação bem densa, surgiam da neblina, desafiando a gravidade e soltando a imaginação para decifrar as formas que nos faziam lembrar. A imagem traz-nos à lembrança brincadeiras de criança que se perdem no tempo e que procuram nas nuvens formas e figuras do nosso imaginário....

A vida que preenche o rio também ajudam a colorir a paisagem. Búfalos de água, alimentam-se nas margens e das algas do rio. Jangadas de bambu serpenteiam os seus tripulantes através do rio em busca de peixe ou de turistas para uma voltinha. Algumas jangadas trazem uns estranhos tripulantes: corvos marinhos. Estes animais vêm sendo treinados há séculos para "pescar". Trazem um anel ao pescoço que os impede de engolir os peixes que capturam e "devolvem" aos seus donos o fruto do seu trabalho... Injusto, mas engenhoso, temos que convir...


Mas para tamanha beleza, diz o ditado que uma imagem vale mais que mil palavras, por isso ficamos aqui com alguns milhares de palavras...

Eis-nos chegados a Yangshuo, uma aldeia há muito descoberta pelos mochileiros, que são normalmente os grandes descobridores destes paraísos perdidos nos confins do globo...


Yangshuo, não foge à regra, mas apesar do desenvolvimento que sofreu ao longo dos últimos anos, podemos dizer que foi um desenvolvimento mais ocidentalizado, preservando a paisagem e até em certos casos embelezando-a.

No essencial Yangshuo é uma localidade muito simpática para passar uns dias relaxantes e para se ir um pouco mais longe, penetrando na verdadeira paisagem rural chinesa.

Nós quisemos aproveitar tudo e depois da desilusão da piscina do hotel estar em manutenção (as semanas acumuladas e o calor que se fazia sentir pediam um mergulho imediato), entregámo-nos nas mãos de umas simpáticas e atrevidas jovens chinesas, que entre sorrisos e espanto da minha capilaridade nos aplicaram uma relaxante "chinese feet massage"!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Guilin e yangshuo, a China rural

O que nos levou à região de Guilin e Yangshuo, foi a vontade de conhecer a China rural e avaliar se as imagens que trazíamos na nossa imaginação correspondiam à realidade.

Tínhamos também grande expectativa no já muito propalado cruzeiro no rio Li, que liga Guilin à aldeia de Yangshuo.

Mas comecemos pelo início e pela nossa curta experiência em Guilin.

Após a nossa penosa despedida do Tibete, voámos via Chengdu para Guilin. Não reservámos qualquer dia completo para Guilin. Foi pena porque a cidade, embora se assemelhe à "nova" China à medida que os edifícios modernos e impessoais, vão rasgando os céus do sul, a paisagem e a beleza natural das formações calcáricas esbatem esta primeira impressão.

A cidade é atravessada pelo rio Li, que é surpreendentemente limpo e imaculado. Dezenas de jovens aproveitam da melhor forma esta dádiva dos deuses para se refrescarem e combaterem o calor de Verão que se faz sentir.

No caminho do aeroporto para a cidade, percebemos porque se chama a cidade Guilin (significa floresta de osmanthus doces). Osmanthus é uma árvore que produz uma flor amarelada e que existe por toda a cidade. As flores possuem um forte e apreciado aroma, sendo utilizadas também para a infusão mais apreciada nesta terra. Da nossa parte está aprovada.
O rio Li (Lijiang) é verdadeiramente o coração desta cidade, que apesar de tudo mantém a baixa da bem cuidada. Claro que os sinais do progresso, dão azo a algumas excentricidades, como o surpreendente Lijiang Waterfall Hotel, onde ficámos instalados, que é o maior "hotel cascata" do mundo. Pois é isso mesmo, o hotel todos os dias a uma hora determinada, transforma uma das suas fachadas envidraçadas numa surpreendente cascata a todo o seu comprimento. Não somos normalmente fãs deste tipo de excentricidades, mas admitimos que este arrojado espectáculo nos agradou...
Antes do espectáculo, ficámos agradavelmente surpreendidos com a vista do nosso quarto e ajudou-nos a perceber, que a maior excentricidade por aqui é mesmo a paisagem e a beleza natural, que ao "brincar" com as intrincadas formas das montanhas circundantes, nos faz dar largas à imaginação. Desde a montanha camelo à gruta da flauta vermelha e acabando no mais popular ícone da cidade que é a tromba do elefante.

A vista mostráva-nos em todo o explendor o melhor de Guilin, o rio Li, as formações rochosas e o lago Fir mesmo à nossa frente com os seus famosos pagodes budistas.

Depois de um passeio pelo lago e pelas margens do rio, fomos descobrindo o artesanato local que se mistura com lojas dedicadas às famosas antiquidades cerâmicas chinesas. Dizem que a preços convidativos, mas que a nossa carteira não consegue alcançar...

Aproveitámos o nosso tempo ao máximo, embora sem coragem para experimentalismos culinários que atingem o auge do exótico no sul da China, como o muito apreciado rato do bambú, tão apreciado nesta região. Bem para dizer a verdade, o rato do bambú, é capaz de ser o menos exótico que se encontra por aqui...

Foi bem passada a tarde e ficamos com pena de não explorar um pouco mais a cidade, mas a verdadeira razão que nos trouxe aqui foi Yangshuo e o percurso para lá chegar. Esse momento está cada vez mais perto e nem a neblina fruto de um tufão que passou nas redondezas nos iria estragar este passeio...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Tibete, a despedida!

Chegámos ao Tibete carregados de imagens e de estímulos que eram o fruto do nosso interesse há já muito tempo. Sabíamos desde início da situação política delicada que extravasa na região e que os nossos passos estariam vigiados e bem monitorizados pelas autoridades chinesas.

Sabíamos por experiência própria, dada a dificuldade na obtenção do visto para a região do Tibete ou da dificuldade em marcar o hotel que queríamos. Sabíamos da história recente do Tibete e a vasta literatura que havíamos consultado, era demonstrativa da despudorada aniquilação da cultura tibetana e do genocídio do seu humilde povo.

Sabíamos que tinham sido transferidos à força milhões de chineses han para o território, fazendo dos estoicos tibetanos autóctones uma minoria no seu próprio país.

Sabíamos que os chineses possuidores de um poderio militar infinitamente superior ao tibetano, arrasaram tudo e todos, desde pessoas, templos, religião, cultura, etc. Basicamente aquilo a que chamaram "libertação" mais não foi do que aniquilar todo um povo, substituindo-o pelo seu próprio povo, numa lógica de alargamento do território e na ânsia e ganância de explorar as muitas riquezas da região, já para não falar da riqueza estratégica de dominar mais de 80% da água doce de todo o sudeste asiático.

Sabíamos também que todas estas manobras iniciadas há mais de 60 anos, tinham tido a complacência tácita de todas as nações do mundo com excepção talvez da Índia, que exilou em Dharamsala o Dalai Lama e a maior comunidade tibetana no exterior do Tibete. Dharamsala é aliás a única esperança de quem ainda acredita que um dia será feita justiça e reposta a verdade no Tibete.

Tudo isto nos repugnava e no fundo personalizava tudo o que o mundo tem de pior: A ganância, hipocrisia, desleixo, falta de valores e o medo que sempre representou a China para o resto do mundo. Foi por isso que recentemente me repugnou mais uma vez, que na sua recente visita a Portugal, não tenha existido qualquer recepção oficial ao Dalai Lama, um homem simpl,es e genial que apenas arroga aos seus semelhantes a filosofia da paz e da não agressão! Mais uma vez me indignei, que por interesses económicos, Portugal fique ligado à ganância e à hipocrisia. Não me senti representado pelos políticos da minha terra e mais do que isso senti-me envergonhado!

Todo o estado de espírito no que se relaciona com o Tibete é de compreensão e de compaixão para aquele povo sofredor, que o que sempre quis foi viver a sua vida sem ser incomodado e de uma forma simples e respeitadora.

Depois de lá estar e fugir o mais que pude ao controlo imposto, reforço a minha profunda admiração por aquele povo, que apesar de oprimido e humilhado, continua sabe-se lá a que preço a tentar preservar a sua tradição e que apesar do medo e da repressão, parece em cada olhar que nos lança pedir para não nos esquecermos deles e para alertarmos o mundo para a sua situação.

Da minha parte, um simples cidadão deste mundo, têm o meu mais profundo respeito e admiração e podem sempre, mas sempre contar comigo!

Obrigado pela lição de vida!

Obrigado Tibete!