Saímos cedo e o Lago Nakuru já ficou para trás!
No caminho tempo para uma paragem numa "fábrica" de estátuas, para a habitual aldrabice de uma suposta visita "cultural". O esquema é o habitual e começa sempre com uma visita "gratuita" à "fábrica" acompanhado por um hiper-simpático guia, debitando uma série de banalidades, já que não há nada para dizer, basta observar os talentosos escultores de madeira que dão asas à imaginação e fazem sair verdadeiras obras de arte (na minha perspectiva) de toros toscos de madeira.
Claro que depois da curta visita, existe sempre uma loja!
Aqui começa a armadilha do turista, igual em quase toda a parte do Mundo! O esquema é psicológico e é do género, "Então eu fui tão simpático contigo, expliquei-te uma série de coisas, acompanhei-te, tu nem pagaste nada por isso e agora não me queres comprar nada aqui na loja?". Chega a hora da resposta habitual: "Não, obrigado, embora ache lindos os abutres em madeira e fiquem lindos na nossa sala, acho os milhares de dólares pedidos por eles um bocadinho exagerados!".
Bem o costume, afastei o agressivo e intimidador "guia da fábrica", que no Quénia foi aliás uma constante, e dirigi-me aos escultores para lhes dar uma gorgeta, dado que estes é que são explorados e são os únicos que trabalham!
Continuamos no famoso grande vale do Rift, que se estende por mais de 5000 Km entre a Síria e Moçambique. É uma falha tectónica responsável por este vale imenso e que nos brinda com estas paisagens!
Mas o nosso destino já está traçado e chega a hora de apanhar o nosso vôo internacional!
Tá visto que não houve muita gente a querer seguir até à Tanzânia!
Aqui vamos nós nesta casca de noz!
Pela primeira vez, levei as malas até à pista e entreguei a um senhor, que abriu uma portinha, tipo porta-bagagens e a colocou no nosso super-sónico... mosquito!
Depois da Xana ter revirado os olhos uns milhões de vezes e ter dito outros tantos que nunca punha os pés "naquilo", lá entrámos e verifiquei com inegável satisfação, que não existiam pedais!
Lá fomos, e depois de ficar com o braço esmigalhado (não sabia que a Xana tinha tanta força!) chegámos à altura de cruzeiro e fizemos uma viagem muito agradável!
O nosso destino era o aeroporto de Kilimanjaro e tivemos o bónus de passar ao seu lado para olhar para as suas neves eternas!
Quando chegámos, finalmente tivemos uma recepção à nossa altura! Inúmeros carros e motas da polícia, de luzes ligadas e sirenes, quando partimos com a nossa comitiva, mandam-nos encostar à berma, informam-nos que vem aí o Presidente da República da Tanzânia. Ainda disse, que não valia a pena, que não queríamos incomodar o Sr. Presidente, mas não foi preciso continuar, dado que o seu carro passou por nós a alta velocidade!
Ainda hoje acho, que ele se perdeu de nós... ~
A sensação de entrar na Tanzânia, é de que se trata dum país mais próspero do que o Quénia, não esquecendo claro que ambos são muito pobres, mas o simples facto de se verem ao longo da estrada "barracas" de tijolo, já nos dá uma pequena indicação, que mesmo assim, vive-se melhor por aqui do que no país vizinho.
Mas estamos aqui para o Safari, por isso vamos lá!
Seguimos para Arusha, a cidade que é o centro nevrálgico na organização de Safaris na Tanzânia.
Fiquei com a sensação que qualquer Safari, começa e acaba aqui. Somos bem recebidos, com uma organização correcta e simpática, onde nos dão um briefing sobre os nossos próximos dias e nos entregam ao Paul, uma velha raposa dos safaris, simpático apesar de pouco expansivo e com um olho de lince como teríamos oportunidade de constatar mais tarde.
Seguimos num agressivo Defender rumo a Tarangire, a nossa primeira reserva na Tanzânia.
O Tarangire national Park é pura Savana e é famoso pela enorme concentração de elefantes e pelas Baobas, árvores fantásticas, que dizem que estão de pernas para o ar dado que os seus ramos parecem as raízes. Nós chamamos-lhes embondeiros.
São precisamente as imagens das baobas, com o pôr do sol como antecâmara que guardo na memória como uma das mais bonitas imagens que me lembro de viver!
O Universo parece conspirar para que a Tanzânia se torne inesquecível...