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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Carnivoro, o restaurante improvável, ou talvez não...

Nas nossas passagens por Nairobi, ainda não tínhamos aproveitado para ir ao mundialmente famoso Carnívoro.

Foi desta, entre a chegada de Zanzibar e a ida para as Maurícias, aproveitámos a noite de escala e rumámos ao Carnívoro.

É um restaurante improvável na maioria dos locais do mundo, mas se calhar o mesmo não se poderá dizer por estas paragens.

Apesar da decoração exótica e atraente do restaurante, o que o faz por vezes aparecer nos tops dos rankings mundiais, não é nem a sua decoração, nem a sua sofisticação, nem o seu serviço, é tão só e simplesmente o seu menu.

Claro que tudo o resto ajuda, e é verdade que quer a decoração exótica quer o seu serviço ajudam, mas o que verdadeiramente atrai é a possibilidade de comer uma série de antílopes como a gazela de grant ou de thompson, ou degustar uma zebra. Também existe crocodilo à descrição, avestruz, búfalo, etc...

O estilo é o de rodízio de churrasco à brasileira.


Foi bom, valeu a pena e aconselho a quem passe por Nairobi.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Safari, balanço final...

É incrível a sensação que nos liga à Terra, como se dentro de nós existisse sempre um interruptor esquecido entre as nossas vidas citadinas e agitadas que é ligado nos momentos em que mergulhamos na natureza pura e intocada.

Parece que ligado esse interruptor, ficamos em modo "verde" e passamos a absorver com sofreguidão todas as sensações que nos rodeiam e que nos extasiam, por falta desta actividade no decorrer da nossa vida quotidiana.

Parece que de repente passámos a deter poderes sensoriais acrescidos, e ampliámos a sua sensibilidade, porque nos marca de forma redobrada a visão... o olfacto... a audição... o gosto... o tacto...

Existem momentos em que as palavras faltam para descrever sensações, e este safari que fizemos, é inequivocamente um desses momentos. Como em tudo na vida, é sempre melhor viver do que ouvir ou como diz o provérbio, "antes viajado que letrado".

Se calhar esta sensação provém realmente de algum resquício existente nos nossos genes, que nos ligam a esta terra que é o berço da humanidade, como pudemos comprovar no Olduvai. É como que um voltar a "casa"...

Se calhar é o "vírus" de África e dos grandes espaços que nos desarmam, se calhar é um estado de espírito temporário, se calhar é mais uma vontade do que uma realidade, mas seja o que for, é intenso, é profundo, é enriquecedor e inesquecível...

Seguindo a máxima deste blog e que me foi transmitida pelo meu maninho, a vida são os lugares e as pessoas que conhecemos, e seguindo este fio condutor, a minha vida torna-se cada vez mais Vida e este safari teve um contributo de peso para que assim seja.

Neste momento de pequeno balanço, vêm-me à memória algumas imagens deste nosso safari...







































Houve também obviamente uma "conspiração universal" para a nossa felicidade (:-)), também empurrada por nós, que contribuiu para este momento especialmente feliz: aqui confluíram forças "ocultas" que tiveram o seu início nos fantásticos catálogos da Nouvelle Frontiéres, já aqui referidos no blog, e que foram o início de um sonho à época difícil e distante de se concretizar, com as forças próprias deste lugar, misturadas com o momento especialmente feliz da nossa vida, expresso nesta viagem de lua de mel!

Obrigado Xana!

Vamos dar um saltinho a Zanzibar? Vamos!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Do Quénia para a Tanzânia

Saímos cedo e o Lago Nakuru já ficou para trás! No caminho tempo para uma paragem numa "fábrica" de estátuas, para a habitual aldrabice de uma suposta visita "cultural". O esquema é o habitual e começa sempre com uma visita "gratuita" à "fábrica" acompanhado por um hiper-simpático guia, debitando uma série de banalidades, já que não há nada para dizer, basta observar os talentosos escultores de madeira que dão asas à imaginação e fazem sair verdadeiras obras de arte (na minha perspectiva) de toros toscos de madeira.



 Claro que depois da curta visita, existe sempre uma loja!

Aqui começa a armadilha do turista, igual em quase toda a parte do Mundo! O esquema é psicológico e é do género, "Então eu fui tão simpático contigo, expliquei-te uma série de coisas, acompanhei-te, tu nem pagaste nada por isso e agora não me queres comprar nada aqui na loja?". Chega a hora da resposta habitual: "Não, obrigado, embora ache lindos os abutres em madeira e fiquem lindos na nossa sala, acho os milhares de dólares pedidos por eles um bocadinho exagerados!".

 Bem o costume, afastei o agressivo e intimidador "guia da fábrica", que no Quénia foi aliás uma constante, e dirigi-me aos escultores para lhes dar uma gorgeta, dado que estes é que são explorados e são os únicos que trabalham!

 Continuamos no famoso grande vale do Rift, que se estende por mais de 5000 Km entre a Síria e Moçambique. É uma falha tectónica responsável por este vale imenso e que nos brinda com estas paisagens!





Mas o nosso destino já está traçado e chega a hora de apanhar o nosso vôo internacional! Tá visto que não houve muita gente a querer seguir até à Tanzânia!



Aqui vamos nós nesta casca de noz! Pela primeira vez, levei as malas até à pista e entreguei a um senhor, que abriu uma portinha, tipo porta-bagagens e a colocou no nosso super-sónico... mosquito! Depois da Xana ter revirado os olhos uns milhões de vezes e ter dito outros tantos que nunca punha os pés "naquilo", lá entrámos e verifiquei com inegável satisfação, que não existiam pedais!



Lá fomos, e depois de ficar com o braço esmigalhado (não sabia que a Xana tinha tanta força!) chegámos à altura de cruzeiro e fizemos uma viagem muito agradável! O nosso destino era o aeroporto de Kilimanjaro e tivemos o bónus de passar ao seu lado para olhar para as suas neves eternas!



 Quando chegámos, finalmente tivemos uma recepção à nossa altura! Inúmeros carros e motas da polícia, de luzes ligadas e sirenes, quando partimos com a nossa comitiva, mandam-nos encostar à berma, informam-nos que vem aí o Presidente da República da Tanzânia. Ainda disse, que não valia a pena, que não queríamos incomodar o Sr. Presidente, mas não foi preciso continuar, dado que o seu carro passou por nós a alta velocidade! Ainda hoje acho, que ele se perdeu de nós... ~

A sensação de entrar na Tanzânia, é de que se trata dum país mais próspero do que o Quénia, não esquecendo claro que ambos são muito pobres, mas o simples facto de se verem ao longo da estrada "barracas" de tijolo, já nos dá uma pequena indicação, que mesmo assim, vive-se melhor por aqui do que no país vizinho.

 Mas estamos aqui para o Safari, por isso vamos lá! Seguimos para Arusha, a cidade que é o centro nevrálgico na organização de Safaris na Tanzânia. Fiquei com a sensação que qualquer Safari, começa e acaba aqui. Somos bem recebidos, com uma organização correcta e simpática, onde nos dão um briefing sobre os nossos próximos dias e nos entregam ao Paul, uma velha raposa dos safaris, simpático apesar de pouco expansivo e com um olho de lince como teríamos oportunidade de constatar mais tarde.

 Seguimos num agressivo Defender rumo a Tarangire, a nossa primeira reserva na Tanzânia.

 O Tarangire national Park é pura Savana e é famoso pela enorme concentração de elefantes e pelas Baobas, árvores fantásticas, que dizem que estão de pernas para o ar dado que os seus ramos parecem as raízes. Nós chamamos-lhes embondeiros. São precisamente as imagens das baobas, com o pôr do sol como antecâmara que guardo na memória como uma das mais bonitas imagens que me lembro de viver!





 O Universo parece conspirar para que a Tanzânia se torne inesquecível...


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Lago Nakuru

Saímos provavelmente do mais famoso parque natural do mundo, Masai Mara, e seguimos por terras Masai até ao lago Nakuru.

A paisagem está salpicada pelas coloridas e vistosas roupas dos inúmeros grupos de Masais que vamos avistando e pelas suas sempre atrativas aldeias recheadas de cubatas redondas.

Qualquer viagem de carro no Quénia é uma aventura e esta obviamente não foi excepção, pelo que é com redobrada satisfação que chegámos ao hotel.

O hotel era muito simpático, com jardins muito bem cuidados e uma vista excelente sobre o parque com o lago em perspectiva. Os bungalows por fora eram muito engraçados embora por dentro fossem extremamente básicos. Dava a sensação de ser um hotel já bastante antigo, provavelmente desde a altura em que o Lago Nakuru, foi proclamado o pimeiro santuário de aves de África nos idos anos 60.

A reserva natural do Lago Nakuru, nada tem a ver com o safari tradicional que nos assalta a imaginação quando pensamos num safari em África e por isso mesmo, é bem vinda essa diferença. O Lago Nakuru não é savana, mas sim um parque verdejante e com floresta que encerra no lago pintado de cor de rosa dos flamingos o seu verdadeiro highlight!

De forma minimalista, o lago Nakuru é uma reserva que se vê numa tarde e em que os grandes pontos de interesse são a proximidade com que se consegue observar o rinoceronte branco e o verdadeiro espectáculo cénico proporcionado pelos milhares de flamingos e já agora pelicanos que se encontram literalmente estacionados no lago e nas suas margens.

Claro que para um verdadeiro ornitólogo ou entusiasta da observação de aves, o lago Nakuru é um maná, dado que se podem observar mais de 400 espécies de aves num espaço relativamente reduzido.


Nós saímos bem cedo de Masai Mara para chegar a Nakuru à hora do almoço e aproveitámos toda a tarde para conhecer o parque.



A vida selvagem aqui não é tão variada e não observámos nenhum grande predador. Vimos imensos babuínos, bufalos, zebras e gazelas diversas. A paisagem é extremamente agradável nos seus inúmeros tons de verde e tem o seu apogeu na chegada ao lago com essa mística muito própria dos grandes espaços onde a água impera, seja o mar, um rio ou neste caso um lago.







Aqui aproveitámos para esticar as pernas no extenso relvado que separa a floresta do lago e que nos permite ter um raio de visão suficiente para a nossa segurança e para observar os flamingos e pelicanos mais de perto. Lá está a adrenalinazita de sair da nossa hiace...





Aprendemos que nestes lagos carregados de sal e por isso sem vida, se desenvovem umas algas no fundo do lago que fazem parte da dieta única dos flamingos. São estas algas que fornecem a coloração cor de rosa aos flamingos. Os flamingos criados em cativeiro alimentados à base de outra qualquer dieta serão brancos! Também se aprende umas coisas num safari...

Aproveitando-nos do tal raio de visão alargado, corremos para a segurança da carrinha quando avistamos a dirigirem-se na nossa direcção alguns rinocerontes que acharam que a erva que pisávamos seria a mais saborosa do local... " - foge que vem lá um tanque!"


É quase cego mas parece que tem bom olfacto, por isso o melhor é mesmo resguardarmo-nos...



É absolutamente deslumbrante a imponência dos rinocerontes! São uma massa bruta e descomunal com uma aparente "carapaça" de protecção que os fazem assemelhar a verdadeiras máquinas de guerra!






Fantástico momento! Mais um para a galeria de ouro que felizmente vai aumentando a cada ano que passa...


Levamos connosco mais umas recordações felizes e recolhemos ao hotel onde temos um verdadeiro jantar com "vista". Está na hora de preparar a nossa despedida momentânea do Quénia, já que amanhã será dia de voltar a Nairobi para seguir viagem para a Tanzânia, a Tanganica de Livingstone...