domingo, 14 de outubro de 2007

Yangoon, Parte 2

No segundo dia em Yangoon, resolvemos fazer o passeio a pé descrito na nossa bíblia de viagem: O Lonely Planet. O que se propunha, era realizar uma visita a pé onde se poderiam observar os antigos edifícios coloniais, que vão sobrevivendo na cidade e que nos fazem lembrar que os britânicos andaram por aqui durante alguns anos e algumas das maiores atracões da cidade desde jardins, edifícios oficiais, mercados e o inevitável chá tomado no luxuoso e histórico hotel Strand.



O ponto de partida era o Templo de Sule, um templo circular que serve de base a uma enorme rotunda onde estão sedeados alguns departamentos governamentais e a câmara municipal da cidade. Daqui saímos à descoberta de Yangoon para um passeio que durou toda a manhã e onde não vimos um único turista!

Ainda não tínhamos andado mais de 100 metros e eu já tinha conseguido aniquilar o nosso chá no Strand ao tomar conhecimento que existem esgotos a céu aberto em Yangoon. O maior problema, é que este conhecimento foi tomado de forma particularmente incisiva ao passar por cima dele, mas como era a céu aberto, o “por cima” passou a ser “dentro” dele.

Uma mangueirada numa casa de banho pública que uns simpáticos birmaneses me indicaram, resolveu parte do meu problema e seguimos com a convicção renovada que estávamos mesmo num local “exótico” e isso para nós era o fundamental!


Uma pontinha de excitação percorria o nosso espírito, por sabermos que estávamos a percorrer locais que se fossem em Lisboa, não nos atreveríamos a entrar, devido ao estado degradado dos locais e por sermos os únicos estrangeiros a passear naquelas ruas. Era inevitável que não passássemos despercebidos. No entanto, já tínhamos aprendido de algumas experiências anteriores, que não obstante o aspecto, não existia qualquer perigo. A segurança estava assegurada, porque estávamos rodeados de birmaneses, e como fomos aprendendo, a única coisa que pretendem de nós é falar nas raríssimas vezes que se sentem impelidos a fazê-lo. Mostram-se sempre simpáticos e disponíveis mas com uma aura de timidez, que lhes deve advir do regime autoritário com que têm que lidar. Se a isso acrescentarmos que não são muitos os birmaneses a falar inglês, compreende-se facilmente porque embora querendo falar connosco, não o façam frequentemente.

Confrontámo-nos com uma cidade vibrante, onde as ruas espelham o bulício das actividades diárias entre bancas de comércio exibindo uma panóplia de produtos de todo o género e bancas de comida que parecem improvisadas. Uma mesa com uma frigideira com óleo a ferver rodeada de uma série de alimentos (uns mais perceptíveis do que os outros) que são servidos em forma de espetadas e umas cadeiras minúsculas envolvendo a banca, dão corpo a esses “restaurantes” que proliferam por toda a cidade.



Foi na zona dos legumes, frutas e “produtos da terra”, que levámos mais tempo (embora a corrente humana fosse avassaladora e não nos deixasse parar muito tempo) a observar aquelas estranhas “formações” tropicais que nos iam aparecendo pela frente e que nos eram tão apelativas.


Pelo caminho passámos pelos inevitáveis bairro chinês e bairro indiano, tão característicos das grandes cidades asiáticas.


Era neste intrincado sistema geométrico de ruas que estava o coração da cidade, era aqui que tudo acontecia, e por fazermos parte dessa vida e por termos penetrado no âmago da força motriz desta cidade, saímos dali renovados, acabando a nossa volta no infindável mercado Aung San. Este mercado estende-se por vários pavilhões e por 2 pisos, onde se encontram muitos produtos que não se encontram frequentemente nas ruas, desde logo todo o género de joalharia realizada com pérolas, pedras e gemas preciosas em que a Birmânia é tão rica. Muitas lojas de esculturas em madeira e de tecidos e claro, o mercado negro a funcionar nas frequentes abordagens “change Money Sir?”.


Para recuperar forças, almoçámos num restaurante no jardim Karaweik, que visitámos depois do almoço. O jardim e o lago que ficavam anexos ao hotel onde estávamos instalados eram um local bastante agradável para passear tranquilamente e onde se observava um barco (de betão) estranho e de estética duvidosa colocado numa das pontas do lago e que emprestava ao local uma certa aura bizarra.


Nessa noite jantámos no Sandy´s Myanmar Cuisine, um dos melhores restaurantes da cidade, com deliciosa comida birmanesa, construído sobre estacas por cima do lago e com um ambiente intimista e cuidado. A relação qualidade preço era fantástica, porque a qualidade era muita e o preço baixo. A conta ficou a rondar os 10 euros (para os 2) e saímos dali com o nosso pensamento já direccionado para Bagan, o nosso próximo destino.

Depois da nossa experiência no Borubodur na Indonésia, estávamos ansiosos por conhecer Bagan, um complexo com mais de 2000 templos com um milénio de história e inscrito na lista de património da UNESCO…

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