sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Guilin e yangshuo, a China rural
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Tibete, a despedida!
Sabíamos por experiência própria, dada a dificuldade na obtenção do visto para a região do Tibete ou da dificuldade em marcar o hotel que queríamos. Sabíamos da história recente do Tibete e a vasta literatura que havíamos consultado, era demonstrativa da despudorada aniquilação da cultura tibetana e do genocídio do seu humilde povo.
Sabíamos que tinham sido transferidos à força milhões de chineses han para o território, fazendo dos estoicos tibetanos autóctones uma minoria no seu próprio país.
Sabíamos que os chineses possuidores de um poderio militar infinitamente superior ao tibetano, arrasaram tudo e todos, desde pessoas, templos, religião, cultura, etc. Basicamente aquilo a que chamaram "libertação" mais não foi do que aniquilar todo um povo, substituindo-o pelo seu próprio povo, numa lógica de alargamento do território e na ânsia e ganância de explorar as muitas riquezas da região, já para não falar da riqueza estratégica de dominar mais de 80% da água doce de todo o sudeste asiático.
Sabíamos também que todas estas manobras iniciadas há mais de 60 anos, tinham tido a complacência tácita de todas as nações do mundo com excepção talvez da Índia, que exilou em Dharamsala o Dalai Lama e a maior comunidade tibetana no exterior do Tibete. Dharamsala é aliás a única esperança de quem ainda acredita que um dia será feita justiça e reposta a verdade no Tibete.
Tudo isto nos repugnava e no fundo personalizava tudo o que o mundo tem de pior: A ganância, hipocrisia, desleixo, falta de valores e o medo que sempre representou a China para o resto do mundo. Foi por isso que recentemente me repugnou mais uma vez, que na sua recente visita a Portugal, não tenha existido qualquer recepção oficial ao Dalai Lama, um homem simpl,es e genial que apenas arroga aos seus semelhantes a filosofia da paz e da não agressão! Mais uma vez me indignei, que por interesses económicos, Portugal fique ligado à ganância e à hipocrisia. Não me senti representado pelos políticos da minha terra e mais do que isso senti-me envergonhado!
Todo o estado de espírito no que se relaciona com o Tibete é de compreensão e de compaixão para aquele povo sofredor, que o que sempre quis foi viver a sua vida sem ser incomodado e de uma forma simples e respeitadora.
Depois de lá estar e fugir o mais que pude ao controlo imposto, reforço a minha profunda admiração por aquele povo, que apesar de oprimido e humilhado, continua sabe-se lá a que preço a tentar preservar a sua tradição e que apesar do medo e da repressão, parece em cada olhar que nos lança pedir para não nos esquecermos deles e para alertarmos o mundo para a sua situação.
Da minha parte, um simples cidadão deste mundo, têm o meu mais profundo respeito e admiração e podem sempre, mas sempre contar comigo!
Obrigado pela lição de vida!
Obrigado Tibete!
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Drepung, o mosteiro branco
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Viajologia, um site interessante
Uma cor para os países visitados e outra para a "wish list".
Este site, é um local, onde se faz um interessante percurso pelas nossas viagens, indicando não só os países visitados divididos por continentes mas também os chamados "lances de viagem", onde se incluem visitas a locais emblemáticos tais como monumentos, coordenadas geográficas, museus bem como momentos marcantes de viagem como crises ou catástrofes naturais, encontros com povos nativos, etc...
Para realizarmos o "teste", basta aceder ao "teste mundial", já que sendo o site oriundo dos nossos "irmãos brasileiros", também existe o "teste Brasil". O preenchimento é simples e conciso e após lermos algumas regras básicas embarcamos nesta curta viagem que nos dará um diploma correspondente ao nosso grau de viajantes.
O conceito deste teste é a avaliação do nosso nível de educação na arte de viajar e daí o diploma final.
Está engraçado, e quanto a mim, tenho o desejo de tirar o doutoramento :o)
Fica aqui a direcção que também vai ser colocada na barra lateral.
www.viajologia.com.br
divirtam-se!
sábado, 26 de dezembro de 2009
Palácio Potala, pura magia!
Lhasa é uma cidade com duas caras, a tibetana, tradicional, bonita e mística e a chinesa, feia, incaracterística e impessoal.
Os chineses transformaram a parte nova da cidade num supermercado típicamente chinês, sem qualidade, esteticamente intragável, cheio de bugigangas e bonecos de gosto duvidoso que os chineses tanto apreciam. Os chineses possuem o monopólio do comércio, sobrando para os tibetanos, que serão porventura uma minoria em Lhasa, os cargos menores.
Para mim existe um pormenor que embora sendo pouco importante em todo o contexto da relação da China com o Tibete, é reveladora da total falta de sensibilidade e bom senso com que os chineses tratam os tibetanos e a sua cultura: O Palácio Potala, está aberto aos peregrinos que visitam regularmente as suas inúmeras capelas. No entanto, foi introduzida uma mudança de itinerário, que obriga os peregrinos a percorrerem os templos no sentido contrário dos ponteiros do relógio o que contraria a sua milenar tradição. Este pormenor que parece ser ridículo para nós não o é para quem conhecer a sólida tradição tibetana e é exactamente por ser um pormenor que o torna mais baixo e mais mesquinho. O interessante é que para "resolver" este problema, os peregrinos fazem o percurso do final para o início!
Na nossa "peregrinação" por Lhasa, concentrámo-nos apenas na parte tibetana, onde comprámos algum artesanato e almoçámos. Partímos a pé para o palácio Potala, onde nos encontraríamos com o "simpático" guia que nos aguardava à entrada.
O guia todos os dias ao final da tarde ligava para o nosso hotel, o que muito nos desagradava. Queria saber o que tínhamos feito durante o dia, por onde andáramos, etc. Faláva com ele pura e simplesmente porque existia a hipótese de o guia ser mais um desgraçado no meio de todo este filme de ficção e não sei se poderia sofrer algumas represálias por não entregar o "relatório" que imagino que tivesse de fazer todos os dias para as autoridades chinesas. O relatório nunca devia ser muito interessante, porque lhe disse sempre que tinhamos estado pelas ruas de Lhasa a passear...
Mais uma vez quis saber um monte de coisas que fizémos questão em não lhe dizer e partimos rapidamente para a entrada do Potala. Tal como combinado, após a entrada, deixar-nos-ia sozinhos. Foi o que aconteceu embora o fizesse com alguma relutância.
Era chegada a hora de aproveitar aquele momento, um verdadeiro privilégio, o de flutuarmos por ali juntamente com a imaginação e vivermos estórias fantásticas de séculos e séculos no meio da História do Tibete exactamente no seu centro nevrálgico. No majestoso Potala que é património da humanidade e que por força do seu assombro, parece maior e mais forte que os próprios Himalaias, que nas imediações, parecem em sinal de respeito fazer-lhe uma vénia.
O longo percurso, estende-se por uma miríade de estreitos corredores que se abrem para dar lugar às inúmeras capelas coloridamente decoradas e para os túmulos dos vários dalai lamas aqui sepultados. É um percurso místico e emotivo onde cada recanto parece ter uma história para contar. Existem vistas fantásticas de Lhasa, quer nos vários terraços por onde vamos passando, quer através das janelas das várias salas e corredores. A decoração transporta-nos para um cenário do género de casa de bonecas, dadas as dimensões reduzidas dos múltiplos locais e o cuidado colocado na ornamentação onde reina a madeira profusamente colorida.
Infelizmente, não é possível fotografar o interior do palácio, pelo que apresentamos aqui apenas as passagens pelo exterior dos vários edifícios.
Ao sairmos do palácio, sentimos uma força esmagadora, que nos faz ter esperança no futuro. Sonhamos que este palácio voltará a ganhar vida e que voltará a ser o centro administrativo e religioso da extensa região do Tibete. Voltaremos a ver o 14º Dalai Lama no lugar que lhe pertence dirigindo um país onde reina a paz e o respeito por todas pessoas, religiões e culturas. Sonhamos que o mundo será justo e que reporá a justiça e os inúmeros anos perdidos. Sonhamos que este povo não será extinto e diluído na sua própria terra. Sonhamos que os tibetanos voltarão a ser felizes. Sonhamos que todos os países esquecerão momentaneamente todos os seus interesses económicos e abandonando a hipocrisia reinante, não só reconhecerão o Tibete como um país independente como farão frente à China para que isso seja uma realidade.
A vida é feita de sonhos e a maior virtude do Palácio Potala é fazer-nos sonhar...