Tudo isto somado, leva a que o relativo sucesso da preservação desta espécie seja simplesmente a manutenção dos números existentes.
O centro de pesquisa do panda gigante nos arredores de Chengdu, tenta contrariar essa tendência, com 40 animais residentes, tenta aumentar a reprodutividade dos Pandas e aumentar as probabilidades de sobrevivência das pequenas crias.
Foi este centro que quisemos conhecer e onde entrámos após uma curta viagem de 10 Km. A melhor hora para visitar o centro é de manhã cedo, quando os pandas são alimentados, visto que tirando esta altura, os pandas estão empenhados no seu hobbie preferido: dormir!
Ao contrário de alguns locais por onde passámos, aqui todas as indicações e explicações dos vários locais, museu incluído, estão também em inglês, o que parecendo que não… facilita!
A excitação de ir ao encontro dos pandas era grande, e a ansiedade de avistar o primeiro, impelia-nos a andar cada vez mais depressa. O local embora fosse paradisíaco, especialmente para mim que sou um aficionado do bambu gigante, começava a deixar-nos desiludidos, é que naqueles amplos espaços, só víamos… bambu. Por fim lá avistámos um ponto preto e branco, que nem com o zoom no máximo conseguíamos distinguir as feições! Mas era apenas a ansiedade de querer ver tudo no primeiro minuto, porque alguns instantes depois, lá chegávamos a um local designado por “parque infantil dos pandas gigantes”. E aí, tirámos a barriga de misérias.
Ao longo da visita e certos que os pandas recebem ali o melhor tratamento possível, não podemos deixar de notar alguma precariedade de algumas jaulas, com espaços demasiado confinados e claustrofóbicos. Não nos podemos esquecer no entanto do nível de vida chinês…
Os parentes pobres do parque são os pandas vermelhos, que não gozam da popularidade dos seus primos a preto e branco. No entanto esta discriminação não se faz sentir nas suas instalações.
Estava na hora de voltar ao templo de wenshu, que estava fechado no dia anterior e aproveitar a ocasião para almoçar naquele bairro fantástico que o rodeia. Foi o que fizemos. Após um almoço típico chinês, lá partimos rumo ao templo budista que nos é sempre inspirador. Nada de especial a apontar ao templo para além do ambiente sempre positivo e regenerador que parece ser parte integrante de qualquer templo budista.
Na continuação do parque, uma casa de chá dá continuidade à mistíca do lugar com litros e litros de àgua que vão correndo dos enormes bules metálicos dos empregados num contínuo vai e vem para encher e dar vida às folhas verdes da planta do chá, dos crisântemos e de tantas outras essências que por ali se sentiam.
As casas de chá funcionavam na China como um local de encontro social e onde para além da conversa, dos jogos e obviamente do chá, se aproveitava o local para algumas necessidades básicas como fazer a barba, cortar o cabelo ou.... limpar os ouvidos! Sim, em pleno século XXI, parece que ainda se preservam algumas tradições...
O nosso dia estava ganho, Chengdu também ganhou algum estatuto e deixou de ser apenas um local de passagem para o Tibete. A nós restáva-nos aproveitar a beleza e o misticismo daquela casa de chá perdida no templo, para entre repetidas chávenas de chá, apurarmos os nossos sentidos para recebermos em pleno toda a magia que o Tibete nos reservaria...