A praça, está rodeada de edifícios estatais, nitidamente influenciados pela pouco estética traça soviética. São monoblocos gigantescos e pesados adornados com pormenores chineses, que apesar de tudo os tornam menos cinzentos.
Eu não quis destabilizar, mas ninguém me tira da cabeça que o Mao deu ao soléu…
Aquela que é hoje uma praça moderna, foi projectada por Mao Tsé Tung para albergar as suas famosas paradas militares, com assistências que chegavam a atingir 1 milhão de pessoas. Em tempos idos, foi parte integrante da cidade proibida. Para o provar, estão ainda intactas duas das portas da antiga cidade, que se podem visitar e onde se pode obter uma boa vista panorâmica de Tiananmen.
Passámos algum tempo a deambular por Tiananmen. Observámos a praça, relembrámos as famosas manifestações de 1989 que tornaram o nome “Tiananmen” infelizmente famoso por todo o mundo e dissecámos os comportamentos e atitudes das pessoas que passavam. Em seguida, decidimos rumar ao parque Bei Hai, que fica nas imediações da cidade proibida e de Tiananmen. Porque ficava próximo levámos apenas… 2 horas!
O parque Bei hai, remonta ao tempo de Kublai Khan e do seu palácio, não restando hoje em dia da sua corte nada mais do que uma jarra de jade. É um espaço bem cuidado e acolhedor, especialmente para quem quer descansar um pouco do caos da cidade. No lago, sobressaem algumas ilhas e no extenso espaço verde que as rodeia podemos observar alguns praticantes de Tai chi ou músicos amadores. Nós optámos por almoçar num agradável restaurante no meio de uma ilha, o que não evitou que uma família típica de chineses que passava numa embarcação de recreio, gozasse com a forma como segurávamos os pauzinhos. “Eu queria era ver-te de faca e garfo…”
Já refeitos da longa caminhada da manhã, partimos à descoberta dos hutongs, os poucos bairros antigos de Pequim que têm sido selvaticamente destruídos para dar lugar aos monstruosos arranha céus mais condizentes com a modernização e evolução económica do país no entender tacanho dos dirigentes chineses. Dá-se assim lugar a uma destruição em massa da cultura e vivência dos habitantes de Pequim para colocar uns monstros de betão e vidro…
Soubemos que milhares de pessoas são retiradas dos bairros onde viviam há gerações e são colocadas algures nos taciturnos subúrbios de Pequim sem que se conheçam quaisquer manifestações pelo facto…
Parece que actualmente, os Pequineses mais endinheirados, aderiram à moda de reabilitar estas antigas casas, dotando-as de luxuosas infra-estruturas, permitindo que se acabe com a destruição massiva que se verificava.
Continuámos, cruzando-nos com bicicletas de todo o género, carregando os objectos mais bizarros e variados. Grupos juntavam-se nos alpendres para uma partida de xadrez chinês ou de mahjong. O quotidiano daquelas pessoas reflectia-se numa variada oferta de lojas e ofícios ancestrais que se espalhavam pelas ruas.
Acabada a volta, saímos satisfeitos por verificar que a cidade de Pequim, não se limita aos incontáveis arranha-céus e ainda nos deixa vislumbrar uma réstia daquele que terá sido o quotidiano de todos os Pequineses.
Seguimos em direcção ao templo dos lamas, mas desta vez já não seríamos enganados de novo… apanhámos um táxi.
O templo dos lamas é o mais conceituado templo budista tibetano, fora do Tibete. Era um excelente aperitivo para a nossa estadia posterior em Lhasa.
Rodas de oração e caldeirões onde se queimava um aromático incenso, deram-nos as boas vindas àquele local repleto de cor, vida e misticismo.
Nada melhor para acabar o dia do que assistir a um dos muitos espectáculos fantásticos que Pequim tem para oferecer. Fomos ao circo acrobático de Pequim, que é verdadeiramente impressionante. A falta de qualidade da sala, para os nossos padrões ocidentais, foi amplamente compensada pela a mestria e destreza daqueles artistas que de número impossível em número impossível nos foram abrindo a boca de espanto. Por falar nisso, como não nos apetecia especialmente escorpiões, gafanhotos ou lagartinhos fritos, fomos mais uma vez “atacar” o pato lacado.